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Segunda 20 Maio

“Canoas do Tejo”

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"Canoas do Tejo", das edições PYO, é um publicação de Junho de 2009, apoiada pela Câmara de Cascais. Luís Sande e Castro e Pedro Yglésias de Oliveira, são os autores desta obra, extremamente apelativa. Numa escrita fluente, coloquial e familiar, que nos faz de imediato sentir o apelo do Tejo e do Mar e vontade de neles navegar, Luís Sande e Castro - um entusiasta da vela desde a sua infância e juventude - faz-nos um relato pormenorizado, desde algumas das suas muitas aventuras à vela e ao remo, em canoas como a "Boneca" ( hoje pertença do GAMMA, grupos dos amigos do Museu da Marinha, e utilizado em parceria com a Câmara de Cascais), até aos inúmeros pormenores técnicos da reconstrução das várias embarcações tradicionais do Tejo, passando pela referência personalizada aos homens que, em horas roubadas ao convívio familiar e ao descanso, com a magia, calo e arte das suas mãos, voltam a dar vida a essas embarcações, em estaleiros por vezes improvisados nos próprios jardins das suas casas.
Com belíssimas fotografias de grande qualidade e graça, do próprio Luís Sande e Castro e de Pedro Yglésias de Oliveira, "Canoas do Tejo" leva-nos, entre outros locais, ao Cais da Moita, Sarilhos Pequenos e Alhos Vedros, onde se podem ver a quase totalidade das embarcações típicas do Tejo, que em tempos idos faziam toda a ligação entre as duas margens, quando ainda não existiam pontes a permitir o trânsito rodoviário. Era o tempo dos catraios, das canoas, botes e faluas, fragatas, varinos, bateiras e chatas, hoje votados ao abandono e esquecimento, não fosse a vontade e empenho de um grupo crescente de "carolas"- nesta obra, justa e largamente referenciados, de entre os quais sobressai o nosso genial Amigo, de todos bem conhecido, Professor Carvalho Rodrigues.
"Quando mantemos a tradição, ajudamos a que as artes não se percam" e de facto, aquele punhado de homens, apoiados em parte pelos seus respectivos municípios, não só recuperam embarcações abandonadas, como reconstroem novas, copiando modelos antigos, e organizam passeios pela Rota dos Mouchões, entre outros, concentrações, procissões, festividades e regatas, entre Março e Setembro, das quais se destaca o "Cruzeiro do Tejo". Além disso, o Professor Carvalho Rodrigues, com seu reconhecido entusiasmo e denodo, conseguiu um protocolo com o Governo, há cerca de um ano atrás, para reconhecimento das embarcações tradicionais, do seu valor e actividade, criando assim a chamada "Marinha do Tejo".
Estão de parabéns os autores deste belo livro, que nos convida não só à sua leitura, como a um passeio no Tejo ( e - quem sabe?- à aquisição de uma canoa...), para vermos com outros olhos o que já conhecemos, ou não, porque como muito bem diz Miguel Esteves Cardoso, no seu prefácio, "é um prazer passear com olhos tão abertos e encantados como os do Luís e do Pedro"!


 

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