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Domingo 19 Maio

A GRANDE CORRIDA – “Thunnus thynnus” o Atum Vermelho ou Rabil

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Sexta, 15 Janeiro 2010 00:00


ATUM-RABIL-site-5Julgamos estar perante a espécie marinha sobre a qual mais se tem tentado saber e sobre a qual menos se conhece.

Este magnifico peixe da família Scombridea, do género Thunnus, e da espécie Thynnus, é aquele que maior dimensão atinge entre os tunídeos (até 4,5 metros e mais de 500 Kg), e também aquele que atinge o maior valor comercial no mercado internacional e em particular no mercado japonês.

É este último factor que tem levado à sua sobrepesca e à necessidade da comunidade internacional estabelecer regras apertadas à sua captura bem como à sua comercialização no sentido de precaver a sua sobrevivência.

Será interessante escrever um futuro artigo sobre a sua captura no Atlântico Norte, a qual tivemos a oportunidade de acompanhar na nossa actividade na área da fiscalização da pesca, na participação no Conselho de Inspecção das Pescas e ainda na nossa ligação familiar à pesca tradicional ao largo da costa do Algarve nas célebres e infelizmente já extintas armações da pesca do atum (almadravas).

Neste artigo iremos apenas, e de forma muito sucinta, abordar as deslocações anuais desta espécie de tunídeos no Atlântico Norte Oriental, com base em informações recolhidas nas várias Semanas das Pescas dos Açores (um dos maiores "fora" internacionais sobre os grandes migradores, levado a efeito na cidade da Horta - Faial), nos trabalhos tão interessantes quanto incompreendidos do saudoso Cte. Salvador Mendes e ainda na observação "in loco" da actividade das frotas de navios de pesca do extremo oriente (coreanos, japoneses, da Ilha Formosa, e outros) utilizando "longlines" e acompanhando as migrações ATUM-RABIL-2-site-2desta espécie ao longo de todo o ano.

Importa começar por clarificar que as várias espécies de atuns não efectuam as mesmas rotas migratórias, nem se encontram em cardumes integrando as várias espécies, podendo no entanto ocorrer existirem alguns exemplares de uma espécie misturados com os cardumes de outras.

No caso dos Açores onde ocorrem e se pescam Patudos (Thunnus Obesus) e Albacoras (Thunnus Albacares), raramente ocorrem capturas de Atum Vermelho (Thunnus Thynnus), já nas costas algarvias onde se capturava esta espécie, raramente ocorriam capturas daquelas outras espécies.

Ainda a título de curiosidade pode-se referir o caso do Atum Voador ou Atum Branco (Thunnus Alalunga) que percorre uma rota migratória com inicio no sul da Irlanda, seguindo no sentido contrário aos ponteiros do relógio, passa no canto Nordeste da ZEE Açores, depois no canto Noroeste da ZEE Continente, regressando à Biscaia junto à Bretanha Francesa, percorrendo assim a chamada Veia Cantábrica.

O nosso admirável Rabil é o único no seu género que percorre praticamente todo o Atlântico Norte, tendo como limite a Sul o Mar dos Sargaços, onde hiberna em profundidade, e a Norte os mares da Noruega onde já foram capturados alguns exemplares.

A comunidade científica internacional divide-se entre considerar a existência de um ou dois "stocks" de atuns vermelhos no Atlântico Norte, isto porque já foram identificados dois locais de desova desta espécie, um a Oeste, junto ao Golfo do México e á Costa Leste dos Estados Unidos, e outro a Este, no Golfo de Cádis e em todo o Mediterrâneo, defendendo uns que cada stock desovaria num e no outro lado do Atlântico, defendendo outros que os "espécimen" desovariam a um e outro lado do Atlântico indiscriminadamente. Somos defensores da primeira hipótese.

Mas acompanhemos então a migração para Este, a partir do Mar dos Sargaços, deste magnífico peixe que percorre milhares de milhas por ano, seguindo duas corridas, uma genética,MIGRAO-ATUM-1-site para se reproduzir, e outra errática, para vorazmente se alimentar e depois hibernar. O equinócio da Primavera (20 para 21 de Março) marca o início da corrida genética destes atuns com origem algures no centro do Atlântico, de onde os cardumes afloram à superfície (profundidade da termoclina) terminando a sua hibernação em profundidade naquelas áreas e avançando em vagas sucessivas para Leste. Estão gordos e seguem o seu instinto para a desova, navegam desde o nascer do Sol e pairam durante a noite (teoria esta que nos parece correcta, defendida pelo Cte. Salvador Mendes e confirmada por um grupo de cientistas franceses que marcaram e seguiram cardumes de atuns tropicais no Atlântico Sul, apresentando este seu trabalho na referida Semana das Pescas - no Faial).

Até aos finais de Abril os cardumes passam junto ao limite Sul e entram na ZEE Açores sempre a navegar para Leste, entrando de seguida no Norte da ZEE Madeira, entre a última semana de Abril, e a primeira semana de Maio. No período entre a primeira semana de Maio e o solstício de Verão (21 de Junho), este extraordinário migrador atravessa a parte Norte da ZEE Madeira, o limite Sul da ZEE Continente e arriba ao Golfo de Cádis, ao Estreito de Gibraltar e ao Mediterrâneo, seus lugares naturais de procriação.

A corrida genética está a chegar ao fim e como se dizia no linguajar dos antigos pescadores das armações de pesca do atum no Algarve, o "atum de direito" estava a deixar de passar.É no solstício de Verão que começam a sair do Mediterrâneo os primeiros atuns já desovados, magros com uma voracidade acentuada, o "atum de revés". Inicia-se assim a corrida errática que os irá levar para Norte até à Islândia e aos mares da Noruega, alimentando-se vorazmMIGRAO-ATUM-2-siteente de pequenos pelágicos como a sardinha, o carapau, a cavala, o arenque e o biqueirão, para repor a sua massa gorda e muscular que lhe irá permitir ultrapassar o seu período de hibernação nas profundezas do Atlântico Central, e efectuar a nova corrida genética na época seguinte. É este percurso de regresso ao Atlântico central que ocorre até ao solstício de Inverno (22 de Dezembro) aquele que pior se conhece em toda a migração do magnífico Rabil, havendo no entanto imagens de atuneiros japoneses atracados em Reiquiavique Islandia, nesta época do ano, o que permite efectuar alguma especulação sobre o referido percurso de Outono, descendo em latitude no sentido Norte Sul, ao longo da crista atlântica continuando a sua alimentação de pequenos pelágicos até à sua "morada" de Inverno.

Durante a corrida genética esta espécie de atum, "atum de direito", praticamente não se alimenta na sua incansável marcha para Leste seguindo o seu instinto natural para a desova em águas pouco profundas, mais límpidas e quentes, do Golfo de Cádis e Mediterrâneo.
Após a desova na sua corrida errática, o "atum de revés", está magro com uma voracidade que o faz investir contra cardumes de pequenos pelágicos a velocidades que podem rondar os quase 50 nós.

Assim podemos pois concluir que o Atum Vermelho ou Rabil efectua uma migração no Atlântico Oriental, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, saindo e convergindo para os Mar dos Sargaços, entre o equinócio da Primavera e o Solstício de Inverno, tendo como limite a Norte ao mares da Noruega.
Esta muito resumida apresentação sobre a migração do "Thunnus Thynnus" no Atlântico Oriental é uma primeira abordagem à qual se pretende vir a seguir uma abordagem sobre a sua captura, numa perspectiva do passado, do presente, e do futuro, seguindo-se ainda uma outra abordagem acerca da sua relevância na identidade sócio cultural das gentes da região do Algarve.


 

Comentários 

 
#2 2011-08-28 14:37
Bom, sou estudante filho de um pescador de atuns, por isso nas ferias tive chance de conhecer bem a pesca de atum, entao no entanto essa especie ja vi, mas eu pessoalmente nunca capturei... meu pai os outros pescadores mais antigos me contaram que na epoca mais antiga era muito frequêste capitura daquela especie... e agora ja muito raramente se apanham rabil.

tambem meu pai disse que gostam de comer na isca viva... tipo cavala!

para mim acho que muitas poucas especie desse atum passa nas aguas caboverdianas...

tambem meu pai disse que muitos grandes navios japoneses pescavam naquela area... nao havia fiscalização, e ate agora nao ha. por isso ja nao ha tanto especeia por la... é por causa de pesca excessiva de lado dos japoneses
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#1 2010-07-09 14:43
bom meu nome é helcio, e moro em salvador/ bahia, sou pescador profissional artesanal e pesco, nas aguas da bahia de todos os santos.e digo com toda propriedade que ao longo dos 15 anos que venho acompanhado essa espécie. e que por sua vez, o seu volume nas aguas da bahia vem se reduzindo cada vez mais. o que era notório a olho nú agora é quase impossível visualizar os cardumes, e o lindo espetaculo dado por esses animais.penso que nos próximos 10 anos não teremos mais essa espécie na bahia de todos os santos
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