Prefácio
A Marinha de Comércio já teve em Portugal uma significativa expressão. Muitos de nós ainda nos lembramos do "Despacho 100", dos cargueiros e paquetes das linhas de África e dos petroleiros da Soponata.
Tudo isso desapareceu, por razões várias, e, como nos diz o Cte. Joaquim Coelho num excelente artigo que aqui publicamos, os navios mercantes Portugueses, registados no Continente, são hoje poucos, numero que aumenta, mas não muito, com os navios registados na Madeira.
Recentemente um armador do Funchal comprou, em excelentes condições, um médio porta-contentores, e a DouroAzul encomendou a um estaleiro nacional, á Navalria, a construção de um navio-hotel. São sinais positivos, sem dúvida, mas não são mais do que isso. Duas andorinhas avistadas, não significam que seja chegada a Primavera. Talvez mais importantes, a criação do Forum Empresarial da Economia do Mar e as declarações do Presidente da República no recente discurso do 25 de Abril. Por si só, contudo, também nada alteram. Precisamos de uma nova atitude do Estado, da Banca e dos Empresários, de uma colaboração, mesmo de uma cumplicidade, como ocorre em muitos países, entre o Estado e os empresários, e de um espirito de cooperação e de entreajuda entre estes, em vez da tradicional competição. Uma Marinha de Comércio constituída por navios porta-contentores, transportadores de gás e navios de cruzeiro, por exemplo, procurando ocupar nichos de mercado, contribuiria certamente, de modo positivo, para as contas da balança de pagamentos e criaria, directa e indirectamente, muitos postos de trabalho; mas empresas viáveis não se constituem por decreto, é necessários existirem empresários audazes, condições fiscais e legislação de trabalho adequado, visão, planeamento e persistência. Algo que nos têm faltado, como se sabe.
As crises trazem consigo novas oportunidades. A Marinha de Comércio vive hoje uma grave crise nos preços dos fretes, consequência da crise económica internacional, e terá possivelmente o seu paradigma em breve alterado, com o alargamento do canal do Panamá. Talvez sejam oportunidades que os nossos empresários do sector - os existentes e os novos, por que ansiamos possam aproveitar!
No passado dia 20 de Maio ocorreu o Dia da Marinha; daqui enviamos a todos os membros da nossa Marinha de Guerra, da nossa Briosa, os sinceros parabéns que merecem. Votos de mares calmos, ventos bonançosos e aguas safas !
O dia 20 de Maio, recordemos, é também o Dia Europeu do Mar, assinalando a efeméride que foi a chegada de Vasco da Gama á Índia e o inicio da globalização. Na Europa, na Ásia e um pouco por todo o mundo, os portugueses são considerados um povo de marinheiros, temos um reconhecimento, uma marca que nos distingue dos demais e que pode ser rentabilizada comercialmente. Só falta, no entanto, nós próprios nela acreditarmos e tirar as devidas consequências!
Uma palavra final para a vinda de S. S. Bento XVI e para a linda cerimónia no Terreiro do Paço, junto ao Tejo cheio de navios e embarcações engalanadas, e para o que se lá disse, onde o Mar também esteve presente.





