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Sábado 18 Maio

Portugal e o Magrebe (séculos XVIII e XIX) - Pragmatismo, inovação e conhecimento nas relações diplomáticas

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Trata-se de mais uma edição do Instituto Diplomático, na colecção "Biblioteca Diplomática do MNE - Série D", de edição muito recente, Junho de 2010, de que se tiraram 1000 exemplares.

É sua autora Eva-Maria von Kemnitz, polaca de nascimento, portuguesa por casamento, e teve por base a tese de doutoramento "O Orientalismo em Portugal no contexto Europeu e no das relações Luso-Magrebinas (séculos XVIII e XIX)", orientada pelos Professores Doutores  Adel Sydarus e José Esteves Pereira, que assina também o prefácio.

Eva-Maria von Kemnitz é Mestra em Filologia Oriental (estudos Árabes e Islâmicos) pela Universidade de Varsóvia, onde também estudou Ciências Económicas. Tem o curso de Conservadora de Museu da Escola Superior de Belas-Artes, uma pós-graduação em Gestão das Artes pelo INA-Oeiras e é Doutorada em História e Teoria das Ideias pela Universidade Nova de Lisboa. Foi bolseira da Fundação Gulbenkian (1976-78) e da Fundação para a Ciência e Tecnologia (2002-06). É docente no Instituto Universitário de Évora e em diversos cursos de pós-graduação e Mestrado na Universidade Católica.

Esta obra estrutura-se em quatro grandes capítulos, abrindo com um actualizado enquadramento do Orientalismo e do Arabismo nos tempos modernos, a que se segue um capítulo sobre o orientalismo em Portugal. As relações político-diplomáticas no período em apreço entre Portugal e o Magrebe - o Reino de Marrocos e as Regências de Argel, Tunis e Tripoli -são demoradamente visitadas, terminando com uma síntese dos estudos árabes em Portugal.

Em 1769, no decorrer de mais um demorado cerco árabe, é tomada a decisão de abandonar a praça portuguesa de Mazagão, cuja população civil, num total  de 340 famílias, se revoltou e foi compulsivamente levada, por ordem do Marquês de Pombal, para a província do Pará, no Brasil. Em 1794 é asssinado um ....Tratado Defenitivo de Paz, de Navegação e de Comércio ..... com o Reino de Marrocos, e criados os postos diplomáticos de consul em Tânger e noutras cidades de Marrocos.  Com os regimes de Argel, Tunis e Tripoli, que armavam corsários e  tinham em seu poder numerosos cativos cristãos, o estabelecimento de relações diplomáticas foi mais dificil. O Marquês de Nisa, com a sua Esquadra do Mar Oceano, no Mediterrâneo, em 1798-1800, e com o apoio diplomático da Inglaterra, logrou estabelecer tréguas com Tripoli e com Tunis. As negociações com Argel arrastaram-se por alguns anos, pois aquela regência pretendia um preço elevado, quer pelo resgate dos cativos, quer pelo estabelecimento de tréguas. A alternativa, manter activa a Esquadra do Estreito para evitar os ataques argelinos à costa do Algarve e à nossa navegação mercante, implicava também custos muito significativos. O Tratado de Paz e Amizade Luso-Argelino, de 1813, permitiu recuperar os cativos e parecia um sucesso; contudo, numa cláusula mantida secreta, Portugal obrigava-se a um avultado pagamento, de 500.000 duros argelinos, e a subsequentes  pagamentos anuais.  Nada que a maioria das nações Europeias de então não fizessem também....

Numa altura em que o diálogo Euro-Mediterrânico - a Declaração de Barcelona de 1995 - está na ordem do dia, em que se perspectivam programas de paz e de estabilidade, e de cooperação económica e cultural, esta obra de investigação profundamente detalhada constitui um contributo da maior importância para retomar uma tradição histórica, num quadro de relações em que Portugal deverá ser um actor relevante.

Os interessados em adquirir este livro poderão contactar com o Instituto Diplomático através do tel. 213 932 040. Esta obra será comercializado pela Livraria Almedina, que dispõe de lojas em Lisboa (3), Coimbra (3), Porto (2), Matosinhos, Braga e S. Paulo (Brasil), e ainda uma loja online. O custo do livro, quando escrevemos estas linhas, não era ainda conhecido.



Alexandre Fonseca
Sobre o autor:

VAlmirante

Director da Revista de Marinha

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