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Sexta 20 Out

O País Assim o Exige ! (Parte I)

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O Artigo IX da Convenção STCW

                                                       

 A bordo de um PSV (Platform Supply Vessel) (1) de uma companhia norueguesa; o “Segundo” (2), português, conversa com os seus chefes noruegueses:

- Imaginem que o meu pai, já com 60 anos, resolveu, agora, obter os certificados de competência STCW (3), depois de muito ter navegado nos seus tempos de jovem oficial da Navy (4).

- Ah, é a nostalgia do mar – retorquiu um dos noruegueses (saudade, diríamos nós!) Como eu o compreendo..... Eu também voltei após poucos anos de terráqueo.

- É, talvez, mas eu acho que também lhe toca uma pontinha de inveja dos filhos; o meu irmão mais novo também anda ao mar.

- E então, foi fazer os tais exames que a STCW obriga para renovar os certificados?

3181 04- Qual quê! Teve de se matricular na Escola Náutica para ir “aprender” muito do que já sabia de sobra. Já para lá anda há 2 anos. Parece que tem de tirar outra licenciatura. Pois em Portugal, aos marítimos militares não lhes é reconhecida nenhuma competência STCW; imaginem que, tendo chegado a comandar dois navios da Navy, após tirar novamente um curso de “Pilotagem” a que é obrigado, só lhe reconhecem competência para embarcar como Praticante (Tranca (5), meus amigos, Tranca!), para ao fim de um ano de embarque, supervisionado por algum jovem piloto com muito menos experiência de mar do que ele e sem nunca ter exercido funções de comando, lhe reconhecerem, imaginem, a capacidade de assumir a responsabilidade de um quarto (6) de navegação!!!!!

- O quê? Como qualquer iniciado???

- Precisamente, como qualquer iniciado!

ESTUPEFACÇÃO GERAL.

- Como é possível?! E acrescenta um oficial norueguês – eu próprio iniciei a minha carreira na Navy onde servi durante 10 anos, após o que transitei pacificamente para a Mercante, reconhecendo a Administração todas as minhas competências até aí adquiridas. Mas, porque fazem isso no teu País? A STCW prevê, permite e incentiva o intercâmbio de profissionais, se não me engano, no âmbito do Art.º IX; na Noruega, os profissionais da Marinha de Guerra são muito valorizados pelas nossas Companhias, precisamente pela credibilidade da formação e da experiência profissional que trazem.

            Aí o jovem oficial português já se fez desentendido, pois embora tendo para si as razões de tamanha aberração, teve pudor em alimentar a imagem de menoridade do seu País, para além do que, na verdade, não sabia bem do que tratava o tal Art.º IX da Convenção.

Mas de que trata, afinal, o Art.º IX da convenção STCW ? Qual o seu conteúdo e orientações?

            Obviamente que os nossos marítimos, nomeadamente os oficiais, conhecerão a convenção STCW (pensamos), pelo menos os conteúdos que directamente lhes dizem respeito. O estudo desta convenção faz parte do programa da disciplina “Segurança Marítima I” dos cursos de oficiais da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH). Para eventuais leitores não profissionais do mar, deixamos aqui a informação de que esta convenção internacional da responsabilidade da IMO (International Maritime Organization) (7) estabelece o conjunto de requisitos mínimos que os marítimos devem cumprir em termos de formação e da sua certificação internacional que lhes permite exercer a sua profissão a bordo dos navios mercantes. Os seus princípios e exigências são transpostos e retratados no R.I.M. (8) que no nosso ordenamento jurídico interno estabelece as normas reguladoras da actividade profissional dos marítimos. Este diploma encontra-seem revisão na Secretaria de Estado do Mar por forma a introduzir as últimas emendas à Convenção STCW produzidas na Conferência Diplomática realizada em Manila em 2010 e que entraram em vigor a partir de 1 Janeiro 2012, com a obrigatoriedade da aplicação das novas normas de formação a partir de 1 Julho 2013.

            É de notar que, como vem sendo costume, não conseguimos ter a nossa legislação actualizada a tempo dos compromissos implícitos como Parte (9) que somos da Convenção!

Comecemos então por referir que acreditamos que grande parte dos nossos marítimos, mesmo oficiais, não se encontre familiarizada com o conteúdo do tal Art.º IX da Convenção STCW, tão só porque esse conteúdo nunca foi transposto e adoptado no R.I.M. (desactualizado, mas ainda em vigor), assim como o seu principal objectivo nunca foi considerado entre nós.

Transcrevemos o n.º 1 do texto desse artigo:

ARTIGO IX

Equivalências

1 – As disposições da Convenção não deverão impedir uma Administração (10) de manter ou adoptaroutros esquemas de ensino e formação, incluindo os que abrangem períodos de embarque e uma organização a bordo especialmente adaptados ao desenvolvimento técnico e a tipos especiais de navios e de tráfegos, desde que o nível dos períodos de embarque, dos conhecimentos e da eficiência exigidos no que respeita ao Governo do Navio e ao Manuseamento da Carga, quer no aspecto náutico, quer no aspecto técnico, garantam um grau de segurança no mar e de prevenção da poluição que seja, pelo menos, equivalente às exigências da Convenção.

            Na Parte B do Código STCW nas “Orientações relativas a disposições dos artigos”, a sua Secção B-IX (Orientações relativas a3183 05 Equivalências) reza o seguinte:

 Os certificados emitidos pelas marinhas de guerra poderão continuar a ser aceites e as certidões de exercício de funções poderão continuar a ser emitidas aos oficiais das marinhas de guerra, como equivalentes ao abrigo do disposto no artigo IX, desde que sejam cumpridos os requisitos da Convenção.

 Consideremos, ainda, a exclusão dos marítimos que exercem funções a bordo dos navios de guerra, aos quais não se aplica a Convenção pelo que reza a alínea a) do Art.º III (Âmbito de aplicação):

  Navios de guerra, unidades auxiliares da marinha de guerra ou outros navios propriedade de um Estado ou por ele explorados e afectos exclusivamente a serviços governamentais de carácter não comercial; cada Parte deverá, contudo, garantir, através da adopção de medidas adequadas que não prejudiquem as operações ou a capacidade operacional desses navios que possui ou que explora, queas pessoas que exercem funções a bordo desses navios satisfaçam as exigências da Convenção, na medida em que for razoável e exequível.

Posto isto, analisemos, à luz da Convenção, a realidade da formação na Marinha e da aptidão dos seus profissionais militares:

 Iniciemos esta análise pelos Oficiais da Classe de Marinha (área de Pilotagem) e da Classe de Engenheiros Navais - ramo Mecânica (área de Máquinas Marítimas)

1. No âmbito do Art.º IX, o “esquema de ensino e formação” da Escola Naval que, como se sabe, inclui vários e largos ...períodos de embarque e uma organização a bordo especialmente adaptados ao desenvolvimento técnico e ao tipo especial dos navios que compõem a esquadra... com um elevado nível tanto de duração, como dos conhecimentos e da eficiência exigidos, no que respeita ao Governo do Navio e ao Manuseamento da Carga específica (perigosa, por sinal) característica dos navios de guerra (tanto nos aspectos náutico, como técnico), garantindo, sem sombra de dúvida, um grau de segurança no mar e de prevenção da poluição, no mínimo, consistentemente equivalente às exigências da Convenção.

 

Diremos que, em termos relativos, face à ENIDH, os cursos da Escola Naval estão, como sempre estiveram, acima, tanto a nível de conteúdos programáticos / carga horária lectiva, como em formação prática a bordo (no posto de trabalho) e, igualmente, em nível de exigência de segurança (face aos riscos elevados a que podem ser sujeitas as unidades navais, bem superiores à generalidade dos navios mercantes). É disso patente a evolução histórica de ambos os cursos, lembrando, a propósito, que a Escola da Marinha Mercante, na sua origem, nasce precisamente da escola / formação na Armada. Sem precisar datas é de nossa memória a fase em que a Escola Náutica compreendia cursos de 2 anos (não superiores), quando na Escola Naval os cursos foram de 3 e 4 anos (já considerados superiores, sem grau académico); posteriormente, enquanto a ENIDH obtém o grau de bacharelato com cursos de 3 anos, a Escola Naval passa a ministrar licenciaturas com a duração de 4 anos; mais recentemente, com o processo de Bolonha, a ENIDH obtém a classificação de licenciatura com 3 anos (6 semestres), enquanto a Escola Naval estrutura os seus cursos em Mestrados integrados, com a duração de 5 anos (um dos quais embarcado). Por outro lado, a Marinha sempre teve condições em meios navais (navios-escola e operacionais, quer de combate, quer de serviço público) que lhe permitiram complementar e consolidar os conhecimentos teóricos e teórico-práticos dos seus cadetes, com formação prática consistente a bordo, ao longo dos cursos (embarques de fim-de-semana e viagens de instrução no término de cada um dos anos lectivos); em contraponto a formação dos oficiais da Marinha Mercante não contempla esta componente, tendo só usado dessa prerrogativa em tempos em que a tutela das duas Marinhas foi comum (Ministério da Marinha); pode afirmar-se que, presentemente, e principalmente com a retracção drástica da Marinha Mercante nacional nas últimas décadas, este facto é das principais vulnerabilidades do ensino náutico no nosso País!

 

Dessa forma é cumprido objectivamente o imposto no n.º 1 do referido Art.º IX da Convenção STCW. 

 

3183 032 . Atendamos, agora, à letra do disposto no Art.º III da Convenção. Diremos que, em tempo de paz, não haverá motivo, fundamentado em qualquer prejuízo para as operações e/ou capacidade operacional dos navios da Armada, que possa ser considerado justificação para que não seja razoável e exequível observar rigorosamente a imposição, a que obriga a Convenção, de que as pessoas que exercem funções a bordo desses navios satisfaçam as exigências nela consignadas. Para que isso seja possível, obviamente que a formação dos oficiais da Marinha contempla não só as exigências da Convenção STCW, como a organização de bordo vai no sentido da observação rigorosa da Segurança da Navegação e da Prevenção da Poluição; aliás compete à Marinha, não só a fiscalização no mar da observação dessas exigências internacionais, como a própria acção de reacção face a desvios detectados (Serviço S.A.R. (11) e Direcção de Combate à Poluição no Mar (12))

 

3 . Posto isto e apesar de estarmos conscientes de que a preparação dos Oficiais da Armada é substancialmente suficiente para garantir os requisitos básicos da Convenção STCW, questionamos se haverá algo no âmbito do enquadramento jurídico internacional e/ou nacional que imponha a prática aberrante neste País retratada na conversa a bordo do navio norueguês. A nível internacional não há com certeza, pois não existe tal anacronismo em nenhum outro país que conheçamos! Na realidade, basta atender à redacção da Secção B-IX (orientações relativas a equivalências) da Parte B do Código STCW atrás transcrita, em que a orientação aponta inequívoca e objectivamente para a possibilidade (desejável), com base na aceitação dos certificados (leia-se “de qualificação”) emitidos pela Marinha de Guerra (ou seja, pela Escola Naval), daemissão aos oficiais das marinhas de guerra de certidões equivalentes de exercício de funções, desde que cumpridos que sejam os requisitos da Convenção. 

 

A nível nacional temos o R.I.M. que, como se referiu atrás, se encontra em processo de revisão na Secretaria de Estado do Mar e que na versão ainda em vigor, constituindo o Decreto-Lei n.º 280/2001, de 23 de Outubro, refere o seguinte:

-O seu Art.º 37.º (Certificados que atestam qualificações profissionais a nível do ensino superior) afirma que ...podem ser objecto de reconhecimento os certificados emitidos por um Estado-Membro que atribuam aos seus titulares formação marítima de nível superior, de duração mínima de três anos, e as qualificações profissionais completas para o exercício da actividade profissional a bordo das embarcações registadas nesse Estado-Membro. 

Ou seja, a Administração Portuguesa admite reconhecer certificados de qualificação emitidos por Estados-Membros da União Europeia mesmo que obtidos nas respectivas Escolas ou Academias Navais (das Marinhas de Guerra) pois eles são reconhecidos nesses respectivos Estados-Membros, e não reconhece os certificados emitidos pela sua própria Escola Naval, da Marinha Portuguesa.

Não quer dizer que não o pudesse fazer, pois no n.º 2 do Art.º 12.º do Anexo III, refere que ...tem acesso à categoria de praticante de piloto o indivíduo habilitado com o 1.º ciclo do curso de pilotagem ou equivalente.”

     O que se passa é que a Administração Portuguesa entende que como equivalentes ao curso de pilotagem nacional (só existe um, o que é ministrado na ENIDH), só são considerados os ministrados nos outros Estados-Membros; os cursos ministrados na Escola Naval, apesar da elevada qualidade relativa, como se referiu, não foram, até hoje, considerados no nosso R.I.M. o que leva os agentes da Administração Marítima (DGRM) (13) a rejeitar olimpicamente a certificação de qualificação desses profissionais militares, ou seja, como se referiu no início, entende a Administração Portuguesa que o actual R.I.M. não contempla, nem literalmente, nem no espírito do legislador, o conteúdo e orientação do Cap. IX da Convenção STCW.

Conclui-se então que não faz qualquer sentido que a certificação das qualificações dos oficiais da Armada, ao abrigo da Convenção STCW, só possa ser conferida através da conclusão das respectivas licenciaturas da ENIDH, tal como parece restringir o actual RIM em vigor, pois, como se evidenciou, a Convenção permite objectivamente o seu lógico e útil reconhecimento pelas Administrações das Partes. Dessa forma, permite-se alterar o RIM, sem ferir minimamente a letra da Convenção, acrescentando ao seu corpo um artigo que adopte os conteúdos do Artigo IX da Convenção (Equivalências) e da Secção B-IX (Orientações relativas a Equivalências), até agora ignorados, remetendo para uma portaria a definição dos requisitos complementares em termos de formação técnico-académica e/ou de formação prática a bordo, que preencham exclusivamente algumas reduzidas lacunas existentes.

Diremos mais, que a Resolução 2 saída da Conferência de Manila 2010, nos empurra a isso mesmo, já que no seu ponto

 4 – RECOMENDAque as orientações constantes da parte B do Código STCW, emendado, deverão ser tomadas em consideração por todas as Partes à Convenção STCW de 1978 a partir da data de entrada em vigor das emendas à parte A do Código STCW;

 Revelando-se, assim, boa prática em todos os nossos países de referência, ao ponto de ser recomendada, questionamos que País é este o nosso que se dá ao luxo de desperdiçar os seus mais qualificados e experientes oficiais de Marinha que, excedentes da Defesa Nacional, poderiam alimentar a economia do mar no mercado global, não obstante se afirmar continuamente que o Mar é desígnio Nacional.

Assim, esperamos que as tutelas intervenientes nos assuntos do Mar usem da necessária determinação política para romper com as tendências sectárias de agentes de interesses pseudocorporativos antagónicos do Interesse Nacional e diligenciem, com urgência, a alteração legislativa conducente a eliminar, definitivamente, esta situação anacrónica que não tem paralelo em nenhum outro país, e que, aqui denunciada, não deverá continuar a ser ignorada pelos responsáveis.                                                  

O País assim o exige !

Por Luís Pereira da Costa*

*Oficial da Armada na Reforma

 

(1) . PSV (Platform Supply Vessel): Navio de apoio logístico às plataformas de petróleo.

(2). “Segundo”: Designação genérica das funções a bordo, no nível de gestão, imediatamente a seguir aos “Primeiros”, nomeadamente, ao Comandante ou ao Chefe de Máquinas.

(3). STCW: International Convention on Standards of Training, Certification and Watchkeeping for Seafarers - Convenção Internacional sobre Normas de Formação, Certificação e de Serviço de Quartos (6) para Marítimos.

(4) .Navy: Marinha de Guerra.

(5). Tranca: Designação da condição de estagiário na gíria marítima.

(6) . Quarto: Sexta parte do dia, ou 4 horas, durante as quais um grupo de tripulantes está de serviço na condução do navio ou em outras funções específicas de operação.

(7). IMO: Organização Marítima Internacional – Agência das Nações Unidas ONU que tem como objectivo instituir normativo para a navegação mercante internacional, designadamente, que incremente a segurança marítima e a eficácia na navegação.

(8). R.I.M.: Regulamento de Inscrição Marítima.

(9). Parte: Designa o Estado para o qual a Convenção entrou em vigor.

(10). Administração: Designa o Governo da Parte cuja bandeira o navio está autorizado a arvorar.

(11). S.A.R.: Search and Rescue – Serviço de Busca e Salvamento a partir do M.R.C.C.-Lisboa (Maritime Rescue Coordination Centre).

(12). D.C.P.M. da Direcção-Geral da Autoridade Marítima, responsável pela execução do “Plano Mar Limpo”  (RCM n.º 25/93 de 15 de Abril) – emprego de meios de vigilância e combate à poluição no mar, ou seja, a observação do disposto na Convenção MARPOL (International Convention for the Prevention of Pollution from Ships) da IMO.

(13). DGRM: Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos – entidade à qual o Governo Português atribui a competência das certificações profissionais e o reconhecimento dos cursos e acções de formação no âmbito da Convenção STCW.

 

 


 

Comentários 

 
#10 2015-01-09 23:05
Caro amigo Pedro Pinto,

As confusões que demonstra são tantas que não tenho palavras para o ajudar. Lamento.
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#9 2014-12-30 21:31
Caro Piloto José Antunes,
Por certo que me interpretou mal. Do meu artigo não se pode inferir que resumo a Marinha Mercante ao governo do navio, assim como não se pode resumir a Marinha de Guerra a esse mesmo governo como parece querer escarnecer. O que evidencio é que há competências comuns aos profissionais do mar que não faz sentido não serem reconhecidas mutuamente. Sobre o comando de uma fragata poder ser exercido por um oficial oriundo da Marinha Mercante, qual é a dúvida? Desde que obtenha a correspondente certificação ... (é frequente nas Marinhas militares dos países que não alimentam os complexos corporativos bacocos como alguns insistem em fazer no nosso País). Penso que lhe possa ser estranho o facto de alguns colegas seus mais antigos desempenharem as funções de Pilotos de Barra (Lisboa e Leixões) pelo facto de terem comandado navios da Armada e sem nunca terem comandado algum mercante. Sabia?
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#8 2014-12-29 17:50
Pois eu gostava de saber, se com mais horas de navegação do que qualquer Almirante Português, me deixavam comandar nem que fosse uma pequena lancha de fiscalização. As formações académicas são diferentes e as missões diferentes. O meu caro amigo, queria depois dos privilégios que teve na marinha de guerra, ex. reformas, promoções e demais tachos da função pública, vir tirar lugar a outros que não têm esses privilégios? pois eu também não compreendo, porque os comandantes de portos em Portugal são da marinha de guerra, alguns mal andaram no mar. Que sabem de estiva, tráfego,poluiçã o, etc.? então não sabemos todos o mesmo nesse caso?porque não temos as mesmas benesses na saúde, etc?
Creio que há mais perguntas para além da que lá por ser guerreiro é polivalente..................
Passe cerca de 6 a 8 meses por ano no mar, já é um princípio.

Cumprimentos
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#7 2014-12-26 11:16
(Continuação) Não se pretende que os cursos da Escola Naval sejam certificados no âmbito da convenção STCW, nem a Marinha o pretenderá. Tão só se deverá pretender que as disciplinas ministradas de acordo com as exigências da Convenção sejam reconhecidas pela Administração Marítima Nacional e, por conseguinte, se permita emitir os respectivos Certificados de Qualificação de acordo com o previsto na STCW. Neste âmbito posso garantir-lhe que a única Escola Naval dos Países da NATO e não só, que não os confere é a nossa.
De resto concordo consigo; só não entendo de onde é que inferiu do meu artigo (que coloca "entre aspas", também não percebo porquê) que teria alguma intenção de atribuir qualquer responsabilidad e à ENIDH de Paço de Arcos no que respeita ao reconhecimento STCW da Escola Naval ou de pretender transformar a Escola Naval em Escola Náutica!
Camarada, Camarada, penso que se tivéssemos sido contemporâneos na Escola Naval, sendo eu mais antigo, não se livraria, por certo, de uns quantos "flaque-têtes".
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#6 2014-12-26 11:15
Sr. Cmdt. Álvaro Semedo e caro Camarada,

Tendo obtido a confirmação de que, muito provavelmente, será o Oficial da Armada, irmão da Professora da Escola Náutica Elisa Sá da Bandeira, de quem recentemente fui aluno, e por quem nutro consideração face à sua elevada dedicação aos seus alunos, apesar de alguma divergência de opiniões existente entre nós, sou a responder ao seu comentário.
Estando colocado o meu amigo na Escola Naval, ser-lhe-á muito fácil confirmar, junto da Secretaria Escolar, o meu grau académico de Licenciado em Ciências Militares - Ramo Marinha. No meu processo na Escola Náutica consta o respectivo certificado emitido pela Escola Naval.
Ambos estaremos de acordo que qualquer destas prestigiadas Escolas não pertencem ao rol de algumas "universidades" que conferem "licenciaturas" mesmo ao fim de semana!!!!
Assim não entendo porque proferiu publicamente neste espaço tal inverdade, nem muito menos o seu propósito, face ao tema em discussão. Se se dignar a apresentar as suas desculpas, ficará desde já desculpado.
Dadas as circunstâncias, também não vislumbro os referidos por si "bom rigor" e "espírito da lei", dado que rigoroso o meu amigo não está a ser fazendo afirmações gratuitas e a que lei se refere cujo "espírito" não permite que qualquer pessoa, sendo licenciada ou não, possa solicitar, em qualquer estabelecimento de ensino superior, equivalência a unidades curriculares obtidas noutro estabelecimento de ensino superior. (continua)
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#5 2014-12-01 23:26
1. O autor deste "artigo" não é licenciado pela EN, e em bom rigor e no espirito da lei não poderá mesmo solicitar equivalências de unidades curriculares à Escola Náutica.
2. A certificação STCW dos cursos da Escola Naval não é responsabilidad e da escola congénera de Paço de Arcos, mas sim da Marinha.
3. Não há maneira nem forma de obter essa certificação no desenho atual do(s) curso(s) (mestrado integrado) da Escola Naval sem alterações substanciais que prejudicariam significativame nte o seu objetivo primário (formar oficiais de Marinha).
4. Na grande maioria das escola navais NATO a certificação STCW não é conferida.
AMS
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#4 2014-11-24 07:07
Meus caros, ainda bem que esta distancia entre Mercantes e Guerreiros existe! Ainda bem! Gracas a Deus!
O camarada Luis Costa, resume a Marinha Mercante apenas como o governo de uma embarcacao. Pois bem, como todos os que ca andamos sabemos, reflecte muito mais do que isso! As diferentes especificacoes sao mais do que muitas! As areas abragidas consoante o tipo de navio sao imensas! Senao, tambem os oficiais mercantes poderiam ir comandar uma fragata, CERTO ??? Qual e a dificuldade??? Alias, sera muitoooooooo mais facil! Nao faltam camaradas para ajudar!Um camarada para o radar, outro para o radio, outro para a asa da ponte de BB, outro para a de EB, enfim,como mostram bem as imagens que o camarada postou no seu artigo.
Discordo e discordarei sempre das equivalencias e equiparacoes! Porque elas sao MINIMAS! Existem equivalencias directas na nautica de recreio! Isso ja e mais do que suficiente, porque ser um oficial da marinha mercante ou um oficial da marinha de guerra a governar um iate, sem duvida que sera a mesma coisa.
Aproveite camarada a sua reforma e relaxa!
Deixe os mais jovens oficiais da marinha mercante trabalhar!
Se os camaradas estranharem a falta de acentuacao neste pequeno desabafo, tal deve-se ao facto de estar neste momento a chefiar a bordo de um navio que so tem teclados estrangeiros...
Saudacoes Nauticas
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#3 2014-11-12 08:06
Exm.° Sr. Capitão da Marinha Mercante João Silva,

Agradeço-lhe o seu comentário, pois, como costumamos dizer, é a falar que a gente se entende.

Só lhe posso dizer que concordo consigo quando afirma que comandar um supplier não é o mesmo que comandar um navio da "Navy" (penso que se estará a referir ao caso concreto da Marinha de Guerra do nosso País que não possui, na sua esquadra, navios desse tipo).

Da mesma maneira que estaremos de acordo que comandar um supplier não é o mesmo que comandar um navio de passageiros, ou um navio de contentores, ou um navio de carga geral, ou um navio tanque, etc., etc.

Na realidade, não vejo de onde foi tirar essa idéia do conteúdo do meu artigo.

De qualquer forma, convido-o a ler os meus próximos artigos (2.a e 3.a partes deste tema a serem publicados nos próximos números da Revista) que lhe permitirá, estou convicto, ajuizar, de forma mais fundamentada, o que na realidade está em causa neste âmbito que reputo de tão importante e oportuno.

Por fim, penso que não fará V.Exa idéia da idéia que a minha pessoa faz da Marinha Mercante, pois, na realidade, não tenho idéia de nos conhecermos a esse ponto. Da mesma maneira que também não faço idéia da idéia que V.Exa fará do que é a Marinha de Guerra. Mas esse não será, como pode compreender, o objectivo das minhas reflexões.

Com os meus melhores cumprimentos, agradecendo todos os comentários que achar oportuno efectuar,

Luís Pereira da Costa
(que para além de Sr. é Cmdt. da Armada)
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#2 2014-10-19 23:34
Parabéns ao Comandante Pereira da Costa por levantar esta questão, visivelmente injusta e aberrante. Os argumentos estão todos do seu lado, veja-se que o único comentário de um comandante de um supplier é que comandar um navio da Navy não é o mesmo que comandar um navio da Marinha Mercante. Que clarividência...! Sobre a falta de uma equivalência básica entre os cursos das duas escolas, nem um palavra. Na aviação civil nunca foi recusada a equivalência a um piloto militar. Cheira a corporativismo mercantil por todo o lado...
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#1 2014-10-08 16:18
Depois de ler este artigo fiquei com a certeza que o Sr.Luís Pereira da Costa não faz ideia do que é a Marinha Mercante.
Se acha que comandar um navio da "Navy" é o mesmo que comandar um supplier antão nem sei o que lhe dizer, e olhe que eu sou comandante de um supplier.
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