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Sexta 20 Out

Dia da Marinha 2017

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3926 00As comemorações do Dia da Marinha revestiram-se de especial interesse para a região Norte, palco normalmente esquecido dos grandes eventos comemorativos de âmbito nacional. A ideia da Armada ter decidido prestigiar as gentes do Norte com a celebração de mais um aniversário nas cidades de Vila do Conde e Póvoa de Varzim resultou num enorme sucesso.

                  Celebrando a data da chegada de Vasco da Gama a Calecute, na Índia, em 20 de Maio de 1498, neste ano a Marinha pretendeu também assinalar os 700 anos do diploma régio pelo qual D. Dinis I concedeu a Manuel Pessanha o título de Almirante em 1 de Fevereiro de 1317; e, segundo rezam fontes ligadas à Marinha, o contrato ... determinou a organização, de forma permanente, da Armada portuguesa, sendo o documento decisivo para o Almirante Manuel Pessanha liderar o processo que tornou o país numa potência naval relevante.

                  A celebração destas efemérides faz-nos lembrar como o nosso país foi tão grande quando tinha uma MARINHA, e quão pequeno se tornou quando voltou as costas ao mar ...

                  O programa das comemorações, que se estendeu desde 13 até 21 de Maio, foi extenso, repleto de actividades de interesse, desde exposições temáticas de modelismo e viaturas antigas da Marinha, passando por concertos pela Banda da Armada, até à abertura de vários navios a visitas, culminando, porém, com a parada militar e o desfile naval que ocorreria ao largo das Caxinas, em Vila do Conde.3926 04

                  A participação das populações foi massiva, pois muitos ignoravam os meios de que a Marinha dispõe e, muito mais do que isso, apreciaram com agrado a multiplicidade de acções em que a Armada está envolvida, desde a defesa até ao apoio a acções de vigilância e salvamento.

                  Foram várias as localidades nortenhas contempladas pelas comemorações, desde Aveiro, onde esteve aberto a visitas o N.T.M. CREOULA, passando por Leixões, que receberia vários navios da Armada, até à Póvoa de Varzim e Vila do Conde, duas cidades marcadamente marítimas, com relevância para a última, ainda hoje um importante polo de construção e reparação naval em madeira, arte onde começam a escassear os artífices.

                  As unidades navais que abriram ao público no dia 20 de Maio começaram a chegar a Leixões durante a noite de 19. Enquanto o submarino ARPÃO foi atracar junto ao Terminal de Cruzeiros de Matosinhos, a lancha CASSIOPEIA atracou ao cais do marégrafo de onde partiria para proporcionar “baptismos de mar”. As demais unidades atracaram ao cais da estação de passageiros e ao cais Ro-Ro, na doca nº 1, do lado de Leça da Palmeira. Compreensivelmente, por não ser muito frequente a visita a Leixões de navios de guerra, e muito menos estarem patentes ao público, visitantes foi coisa que não faltou. Embora as visitas se limitassem ao exterior dos navios e à ponte de comando, a curiosidade pelos sistemas de armas, pelos equipamentos de cada navio e pelo helicóptero orgânico de uma das fragatas, era a nota mais evidente. Ao mesmo tempo, contar com a visita de um largo número de militares da Marinha, mesmo que por pouco tempo, acaba por provocar uma sentida nostalgia pelo encerramento da Estação Radio Naval da Apúlia, ou pelo desaparecimento da Escola de Alunos Marinheiros do Porto, que fechou portas há já cerca de cem anos.

                 3926 05 Entre as unidades presentes merece especial referência o N.R.P. FIGUEIRA DA FOZ (P 361), navio patrulha oceânico saído dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, segunda unidade da classe VIANA DO CASTELO. Encomedado em 2002, depois de vários atrasos por motivos diversos, acabaria por ser entregue apenas em 25 de Novembro de 2012, alguns anos depois da entrega do cabeça de série. Com 83.1 m de comprimento, 12.95 m de boca, 3.69 m de calado, desloca 1750 tons. Apesar de tudo, acabou por sair um belo navio, apto para actuar nas águas nem sempre calmas do Oceano Atlântico.

                  Outro destaque é o N.R.P. ARPÃO (S 161), submarino que foi o patinho-feio da Armada pela polémica que desencadeou a aquisição de submarinos. Segunda unidade da classe TRIDENTE, foi construído pelo estaleiro Howaldtswercke Deutsch Werft (HDW) em Kiel entre 2007 e 2010. A entrega defenitiva ao Estado português ocorreu em 28 de Abril de 2011. Apresenta reduzidas assinaturas acústica, electromagnética e térmica, o que o torna um dos submarinos convencionais mais furtivos do mundo. Sendo de construção modular, esta característica proporciona menores custos de modernização e manutenção. Com 68 m de comprimento e 6.8 m de diâmetro do casco resistente, desloca 2.020 tons em imersão e 1.842 à superfície.

                  Estiveram ainda presentes o N.R.P. BÉRRIO, o N.R.P. ANTÓNIO ENES, uma das duas corvetas sobreviventes das seis da classe JOÃO COUTINHO, o N.R.P. VASCO DA GAMA, fragata que dá o nome a uma série de três, construídas na Alemanha, baseadas no projecto MEKO 200 e o N.R.P. BARTOLOMEU DIAS, que também dá o nome a uma série de duas fragatas oriundas da classe holandesa KAREL DOORMAN.

                  Se bem que se tenham revelado de inegável interesse as diversas exposições patentes ao público, a mais apelativa seria a dos equipamentos utilizados pelos Fuzileiros, Polícia Maríma e Socorros a Náufragos, que esteve instalada no Passeio Alegre, na Póvoa de Varzim.

                  Um dos momentos merecedores de especial destaque foi a conferência, de conteúdo marcadamente histórico, proferida pelo Cte. Costa Canas sobre os 700 anos da Marinha, este ano celebrados. Numa sala bem preenchida de público, no renovado Diana-Bar, Costa Canas proporcionou a todos os presentes uma viagem desde 1317 até à actualidade, ao focar a importância que o diploma de D. Dinis teve na criação da Marinha, que na dinastia seguinte tornou Portugal uma das nações mais poderosas do mundo.

                  As atuações da Banda da Armada foram também pontos fortes do programa, arrancando dos presentes, que acorreram em grande número aos concertos nas duas cidades, muitas e elogiosas salvas de palmas.

                  Antes do desfile das tropas em parada, foram ainda proferidas duas brilhantes alocuções, que ficaram a cargo do CEMA, Almirante António da Silva Ribeiro e do Ministro da Defesa. Do discurso do Ministro da Defesa há dois ponto a assinalar, que são também duas promessas que se espera se realizem a curto prazo: a construção, no Arsenal do Alfeite, de dois novos salva-vidas, e dois novos NPO’s, navios de patrulha oceânica, em construção nos estaleiros West Sea, em Viana do Castelo, que em breve serão 3926 06integrados na classe VIANA DO CASTELO.

                  A classe piscatória, por sua vez, acorreu em grande número ao Programa Mar Seguro, que decorreu no Salão Paroquial das Caxinas. Igualmente, a exemplo do que se passou em Leixões, foi muito considerável o número de pessoas que receberam de Neptuno as honras de “Cidadãos e Cidadãs do Reino dos Mares”.

                  A fechar as comemorações, decorreu o desfile das tropas em parada na avenida marginal das Caxinas, em Vila do Conde, acompanhado, ao largo, pelo desfile das várias unidades navais que se deslocaram de Aveiro e de Leixões. Sublinhe-se a participação no desfile de Associações Recreativas, Culturais e de antigos marinheiros, tanto locais como oriundos de vários pontos do Norte do país, bem como a enorme massa humana que se distribuiu ao longo de grande parte da Avenida Infante D. Henrique.

                  Quanto às regatas, integradas nas comemorações, viriam a ocorrer no dia 27 de Maio, organizadas, como vem sendo habitual, pelo Sport Club do Porto. Contaram com velejadores do clube nas classes de “Snipe” e “Optimist” e, nesta última, também com velejadores do Clube Naval de Leça e do Clube de Vela Atlântico. Estas regatas contaram com o apoio da Câmara Municipal e da Capitania do Porto de Leixões, tendo sido presididas pelo Capitão do Porto, C.m.g. Rodrigues Campos, acompanhado na entrega dos prémios pelo Patrão-Mor 1º Ten Loureiro Ramos. Venceria a prova de “Snipe” a equipa formada por Paulo Andrade e Pedro David, enquanto na classe “Optimists” sairia vencedor Rodrigo Pinheiro, do Clube de Vela Atlântico. Paralelamente, em Leixões e neste mesmo fim-de-semana, teve lugar a regata “Vasco da Gama”, para veleiros.

Texto e fotos: Arq. Paiva Leal e Reinaldo Delgado

 


 

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