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Quinta 19 Out

Setembro - Outubro de 2017 (RM999)

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Quinta, 05 Outubro 2017 00:00


prefacio

 

 

Este número da vossa Revista de Marinha faz foco, como tem sido habitual, nos temas do ambiente, ciência & tecnologia.

Quando escrevemos estas linhas, em meados de Agosto, iniciou-se em Nova Iorque, nas Nações Unidas, o processo de apreciação da proposta portuguesa de limites da extensão da plataforma continental.

É algo de muito importante, a que a comunicação social muito justamente tem dado significativo relevo.

Os trabalhos de mapeação e de investigação dos fundos marinhos para fundamentar a nossa proposta permitiram já identificar importantes recursos minerais, de grande valor económico; a continuação deste esforço de investigação dos fundos marinhos permitirá certamente identificar áreas adicionais com características geológicas favoráveis à ocorrência de valiosos minerais.

Contudo, um alerta, desde já. A tecnologia de mineração submarina está em desenvolvimento, mas ainda não tem viabilidade económica. Será algo que, possivelmente, dentro de algumas dezenas de anos, os nossos netos, ou os netos dos nossos netos, irão ver.

A análise da nossa proposta de limites da plataforma continental, um trabalho executado de modo muito competente e profissional pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, que merece ser assinalado e saudado, é apenas mais um passo. Importa desde já afirmar a nossa soberania sobre a vasta área em questão, através da sua fiscalização e principalmente, da sua investigação.

Os recursos científicos de que dispomos são limitados; a sua coordenação, a atribuição de prioridade às atividades mais promissoras e o estabelecimento de parcerias internacionais são aspetos a não esquecer.

A investigação cientifica do nosso mar é executada por Laboratórios de Estado, pelo Instituto Hidrográfico (IH) e pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Nas Universidades dos Açores, de Aveiro, do Algarve, de Lisboa e do Porto e nalguns Institutos Politécnicos como o de Leiria, e no Wavec, na área das energias renováveis, existem importantes núcleos de investigação marinha, já com provas dadas. Os sistemas submarinos autónomos não tripulados têm sido entre nós objeto de desenvolvimentos muito promissores. Dispomos já de alguns “meios pesados”, como são os navios hidro-oceanográficos D. CARLOS I e ALM. GAGO COUTINHO, bem como do MAR PORTUGAL e do ROV LUSO.

Contudo, como atrás mencionado, há que ter consciência das nossas limitações; a cooperação internacional é fundamental e nesta a escolha dos parceiros. Noruega, Canadá, Dinamarca e, porque não, a Irlanda, serão algumas opções a explorar.

Mudando de assunto, a fechar, como certamente notaram esta revista é a RM 999. O próximo número, relativo a Nov/Dez, será assim a RM 1000, naturalmente um “número especial”, em que já trabalhamos e que esperamos venha a ser do vosso agrado.

 


Alexandre Fonseca
Sobre o autor:

VAlmirante

Director da Revista de Marinha

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