Campanha da Etiópia - 1541-1543
No passado dia 10 de Fevereiro teve lugar nas instalações da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a cerimónia do lançamento de mais um livro da editora "Tribuna da História"- a "Campanha da Etiópia 1541-1543"- integrada na colecção "Batalhas de Portugal", de que é a 29ª obra publicada.
Trata-se de mais uma cuidada edição, de excelente aspecto gráfico, que mereceu o patrocínio da Comissão Portuguesa de História Militar, do Intituto da Defesa Nacional e de dois dos ramos das Forças Armadas, Exército e Marinha. O seu autor, o Arquitecto Luís Costa e Sousa, mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão, embora exerça actividade profissional na área da arquitectura hospitalar, é um apaixonado pela História e um investigador, particularmente focado no séc. XVI.
A expedição à Etiópia, comandada por D. Cristovão da Gama, irmão de D. Estevão da Gama, o então Vice-Rei da Índia- ambos filhos de D. Vasco da Gama- compreendia cerca de 400 homens, bem armados e equipados com arcabuzes e artilharia montada em carros. Foi esta a resposta portuguesa aos pedidos de auxílio do Imperador Cláudio, atacado por forças islâmicas provenientes da área da actual Eritreia, que lhe ocupavam já grande parte do seu reino. Após o desembarque em Massáuá, a hoste portuguesa internou-se em território abissínio e defronta, por duas vezes, sem outros apois, os exércitos de Ahmad al Ghazi, que derrota nas batalhas de Amba Sanayt e dos campos de Iarte. Contudo, inexplicavelmente, Cristovão da Gama não faz a junção com o grosso das tropas abexins, enquanto o adversário recebeu reforços turcos, em arcabuzeiros e artilharia de campo, retirando-lhe assim a vantagem tecnológica de que dispunha inicialmente. A batalha de Ofla, em Agosto de 1542, foi um desastre para a expedição portuguesa; pese embora a coragem demonstrada, o número avassalador dos inimigos, agora reforçado por turcos bem armados, levou a melhor, tendo Cristovão da Gama sido capturado e posteriormente decapitado, pelo próprio Ahmad al Ghazi. Entretanto, aproveitando este período, o Imperador Cláudio reconstituiu o seu exército e, reforçado com os cerca de 100 portugueses sobreviventes, defronta as forças islâmicas em princípios de 1543, obtendo uma estrondosa vitória. Terá sido mesmo um arcabuzeiro português quem conseguiu abater o chefe inimigo, o que naturalmente produziu um efeito psicológico negativo no exército oponente que, batido, se põe em fuga.
As consequências desta pouco conhecida intervenção portuguesa são muito importantes, pois permitiram a manutenção do Império Etiope, de religião cristâ, que então se encontrava à beira da derrota e, possivelmente, do desaparecimento.
À Tribuna da História e ao autor, os nossos sinceros parabéns por um muito bem conseguido trabalho, que enriquece qualquer biblioteca.
Esta obra está à venda no circuito comercial das livrarias, com um preço de capa de 27,5€. Poderá também ser adquirida directamente na Editora, através do telefone 213150438 ou do "site" www.tribunadahistoria.pt.





